quinta-feira , 18 de Janeiro de 2018
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Vamos falar sobre ética?

Temos que separar a moral da imposição moral, haja vista que esta última costuma ser utilizada como uma das ferramentas para coletivizar os interesses. Para libertários tal coletivização pode esconder um grande problema: o risco de se utilizar uma estrutura de coerção com o objetivo de forçar uma linha de conduta. E essa costuma ser a melhor maneira de políticos alcançarem aquilo que desejam.

Já dizia Kenneth Hesselberg (Hume, Natual Law and Justice), que a justiça é um produto da razão, não das paixões.

Assim, cabe entender, sob um aspecto de respeito, inclusive à justiça, que é essencial a quem preza pela liberdade defender a supremacia dos limites da coletivização de interesses. Esses limites confrontam a própria ação coercitiva, em que a moral não pode se desfazer de pressupostos éticos, cujas bases encontram-se no respeito aos direitos naturais dos indivíduos.

Isso não quer dizer que seja ruim quando pessoas se unem em prol de interesses comuns e agem seguindo as regras morais que acreditam. Indivíduos costumam, naturalmente, formarem grupos, constituindo uma associação que os representam.

Contudo, todo coletivo que passa por cima dos interesses individuais pacíficos e voluntários, deve ser combatido. Mas, ao contrário, se respeitam os limites morais dos outros, podem muito bem conviver com aqueles com cujo modo de vida não concordam, basta que exista respeito à própria ética pela liberdade.

Neste sentido Jorge Valín, economista espanhol seguidor da Escola Austríaca e defensor do anarcocapitalismo apontou muito bem que “a base para traçar um conjunto de leis lógicas não pode surgir do coletivo difuso; é o indivíduo que cria o coletivo, ou seja, o grupo nasce dele, portanto, as bases da ética só podem ser estabelecidas no direito natural do indivíduo, e os princípios deste”.

É muito importante que compreendam que qualquer afirmação ou ação que implique no fim da satisfação de um indivíduo para aumentar a de outro pela força entra em contradição ética, esse é um princípio básico da ética libertária.

Jorge Valín é emblemático quando diz que “somente a livre interação humana pura pode ser coerente com a ética, somente o indivíduo sabe o que lhe beneficia e o prejudica, ninguém a quem você não conheça pessoalmente pode responder por ti, e ainda menos pode falar ou atuar em seu nome”.

Desta forma, a capacidade moral de impor uma estrutura de pensar ou de agir, utilizando-se de uma ética positiva aos outros, não cabe a ninguém. Se você defende a liberdade você irá combater esse tipo de situação. E é justamente por isso que há tanta crítica contra o Estado, que é sistematicamente utilizado em sentido contrário à ética libertária.

Lembrem-se que o Estado diante de uma filosofia ética (ética política) não tem nenhum sentido. É o que justifica Valín, quando aponta que “a ética somente se baseia no indivíduo e na propriedade privada, e qualquer um que viole este princípio é anti-ético”.

Sobre Weslley B. Maia

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Graduado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão, Coordenador Estadual dos Estudantes Pela Liberdade no Maranhão, um dos criadores da página Advogados Libertários no Facebook.